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26 jan 2018
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Café, o novo vinho

Por mais aroma, sabor e prazer a cada dia

Difícil imaginar a manutenção da existência humana sem a sensação de prazer. O prazer está diretamente ligado ao nosso bem-estar e qualidade de vida, e até a nossa sobrevivência enquanto espécie sempre dependeu dele!

Pra nosso deleite e alegria, a noção de prazer alimentar vem entrando na fase 3.0 no atual estágio da civilização humana: tão importante quanto viver, é ter prazer e ser feliz com coisas corriqueiras do dia a dia, como os alimentos!

 

Café ou vinho?

Segundo os estudiosos, a palavra café veio do termo turco kahvé, que por sua vez desenvolveu-se a partir do termo árabe qáhwa,(pronuncia-se ‘caoua’) que significa tanto “café” quanto “vinho”. Desde o século XV, café ou vinho, é tudo uma questão de semântica! 😉

Infelizmente (especialmente no Brasil) somente nas últimas décadas é que o vinho e o café evoluíram enquanto produto, melhorando processos, finalizações e apresentações. Apesar de parecerem universos separados, tem sido graças aos conhecimentos adquiridos da cultura gustativa do vinho que o café especial vem se aprimorando e, assim, ganhando espaço entre os consumidores de percepção apurada. Afinal, compreende-se agora que qualidade de produto e bom paladar são noções intimamente ligadas. E se existe a associação de que “comida é prazer”, então bebida também é!

 

A Primeira, a Segunda e a….

A famosa expressão “a terceira onda do café” surgiu basicamente por conta da “descoberta” de que o café possui doçura, acidez, aromas e nuances gustativas apreciáveis (e quantificáveis!). Nessa nova fase o lema é: mais do que beber-por-beber, o que vale agora é a experiência de uma boa xícara. E não raro, um bommm café (dependendo da extração) pode ser translúcido como o vinho!

Roda de sabores SCA: compreensão dos aspectos de um café!

Roda de sabores SCA: compreensão dos aspectos de um café!

Essa revelação das novas qualidades nutracêuticas e gustativas do café o alçou ao status de produto diferenciado. E com essa percepção renovada de produto, o café de alta qualidade ganhou novo adjetivo qualificador: o termo “especial” (specialty coffee). Um café para ser considerado como especial precisa estar enquadrado em parâmetros muito específicos, desenvolvidos pela SCA — Specialty Coffee Association, que avaliam a complexidade sensorial de cada café.

Geralmente cafés produzidos em pequena ou média escala, dependendo, é claro, de diversas condições e questões produtivas, alcançam boas notas dentro desse padrão internacional. Isso é, o café especial é um item alimentar de qualidade, que possui características próprias e bem definidas. É uma bebida que se distancia – e muito! – do recorrente (e persistente!) c͟a͟f͟é͟ t͟r͟a͟d͟i͟c͟i͟o͟n͟a͟l͟* que encontramos fartamente por aí. Isso é, aquele café que segue os padrões industriais e/ou do grande mercado, disponível nas inúmeras gôndolas deste país, tanto nos micro mercadinhos quanto nos hiper mercados.

 

Mais, mais e mais

Mas enfim… por conta das novas exigências por mais qualidade, tanto no quesito alimentar quanto no quesito apreciação de sabor, foram surgindo no mercado interno o aumento exponencial da demanda por vinhos e cafés mais elaborados, mais bem cuidados, de sabor apurados e melhor finalização. Inclusive o consumidor já entende melhor essa ‘nova cultura’ de bebidas que fazem parte do universo gastronômico. Prova disso tem sido o aprimoramento das embalagens e apresentações, que tornaram-se mais detalhistas, privilegiando a informação técnica e a transparência do produtor para com o público. E com certeza, merecemos mais (e mais e mais e mais!) do que nos oferecem a maioria das empresas de varejo….

 

Partiu, café?!

Todo o knowhow ligado à qualidade dos grãos do café vem proporcionando bebidas incríveis em nossas xícaras! E toda a diversidade de sabores que o nosso país produz está sendo descoberta por quem deseja o prazer que um bom café propicia!

Sendo o café especial um produto tão incrível e diverso quanto um bom vinho, é possível ter essas duas paixões tão similares (e tão opostas em seu consumo!), convivendo em nossas mesas, trazendo diversidade alimentar, saúde e alegria de viver a todos nós, desde a primeira refeição até a última!

Hummmmm…. Perái que vou ali esquentando a água…


*Existe uma classificação estritamente brasileira, a COB. Aqui no Brasil ela segue em paralelo á classificação internacional. Isso inclusive ainda confunde bastante os atores da cadeia produtiva do café, com relação à classificação de seus produtos. Não me detive nos detalhes e questões relativas à Classificação Oficial Brasileira, pois não é o foco do meu trabalho, que é voltado exclusivamente para os especiais. 


Imagem: Nósfotografa


Texto publicado no Medium e nas Notas da pág do Facebook.

22 jan 2018
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Do pó ao pó — singularidades e universos no café

Quem sou… de onde vim… para onde vou…

Somos um microcosmo, amálgama de alguns zilhões de micro organismos, bolinho ambulante feito de bactérias, água e fermentação. Somos também a sopa de experiências (boas ou ruins) que recebemos goela a dentro, dia após dia.

Falando assim parece até ruim. Mas a vida é assim mesmo. E tá tudo bem.

Mas não somos somente hospedeiros passivos nessa brincadeira ‘time lapsed’ de viver-morrer. No rol das nossas vivências, aquilo que percebemos de forma crítica, sempre se transmuta em algo mais. A vida seria então esse ping pong de toma-lá-devolve-cá, um jogo interminável de trocas entre o nosso microcosmo interno e o universo externo. E (acho eu) que, para o bem de todes e felicidade geral do grande universo e dos universos individuais, sempre se pode devolver ao mundo uma regurgitada criativa.

 

E chega de filosofia, porque o meu negócio é café.

O que eu queria dizer é que ninguém é igual a ninguém, e aquilo que nos diferencia do resto dos ninguéns é justamente o que devolvemos ao mundo, reelaborado a partir do que ele nos proporciona. Então, no fim das contas, viver bem, feliz e com saúde, é saber como retribuir a energia que nos mantém aqui neste planeta com amor, desapego e alegria (e alguma fixação por perfeição hehehe). A vida é assim.

 

Prometo que agora eu volto ao café.

Filosofei até aqui para dizer que, mesmo parecendo que somos iguais em algum nível, é “cada um no seu cada um e no universo cabem todes”, ou seja “toda unanimidade é burra” (valeu, Rodrigues).
Um mecânico nunca será igual a outro. Uma barista jamais conseguirá extrair um café como o do seu colega. Uma advogada nunca procederá exatamente como outra (mesmo que esta seja da mesma área jurídica).

Vários universos me levaram ao café….

Sempre haverá um pipoqueiro que venda uma pipoca “diferenciada” que o outro empreendedor da mesma esquina não havia pensado em fazer.

Obviamente cada ser humano passa por conhecimentos, experiências e escolhas únicas. Você pode se identificar com um, com outro, com alguns ou não se identificar at all com nenhum. E tá tudo bem, porque a vida é assim.

Voltando ao café….

Diante de todas aquelas pessoas que ousam (corajosamente) denominar-se cafeólogxs, eu, por exemplo, sou uma profissional singular.
Já passei por quatro outras atuações completamente diferentes (terapeuta, culinarista, doula, professora), e esses universos (e duas demissões consecutivas sem motivação explícita) me levaram a algo inusitado: o abismo. Quando voltei do fundo do poço, me dei conta: isso tudo junto e misturado SOU EU! E pra “dar a volta por cima” nesse universo de shit happens, acabei me tornando uma (desculpem meu francêisx) cafeóloga da pohha!
(Peço desculpas também pela minha modéstia, mas ela me precede).

Etá tudo bem, repito. A vida é assim.

Diante de tantas ondas no café (estamos na quarta ou na quinta?), d̶e̶v̶e̶r̶i̶a̶ h̶a̶v̶e̶r ainda há muitas ondas pra criar e surfar (até agora, me parecem, só rolaram marolas…).

Mas, ó, resistência humana às inovações. Veja só….
Apesar da obviedade tanto do termo quanto da função, poucas pessoas no Brasil tem a coragem de se intitular ‘cafeólogo/a’. Exatamente sete pessoas se orgulham em atuar dentro deste campo profissional. Dessas, apenas duas atuam de forma autônoma. Uma, por falta de reconhecimento nacional da importância da profissão, foi pra Paris. A outra ficou e abriu uma empresa há exatos cinco anos. E não me arrependo.

Sendo a única cafeóloga empresária que dá a ‘cara a tapa’ nessa bolota de pedra que gira na via láctea, você pode imaginar quantas “sopas de experiências” eu devo ferver por aí….
Eu tenho o desplante de me auto intitular visagista, designer de experiências e interventora urbana. Claro que, como revide, gero polêmica, risinhos secos e a eterna pseudo indagação: “isso é de comer?”. As pessoas são resistentes. É isso. E deve estar tudo bem. Ou não…

Se sou a única nesse ramo dos cafés especiais que se autodenomina Educadora de Disruptiva, fazer o que, né? Se eu sou a única cafeóloga especialista em embalagens de café no Brasil, paciência. Se consigo fazer links de quase tudo nesse universo para ‘dentro’ do café, e me orgulho de usar o termo LINKER para meus propósitos profissionais, desculpe-me, mas semântica é muito importante pra mim (e a língua portuguesa ainda não criou termo semelhante pra eu largar a palavra em inglês).

E se esse bolinho fermentado ambulante do planeta, que tem excesso de criticidade por todos os poros, é a única que consegue hackear o café, seria legal que as pessoas entendessem (antes de morrer, pfvr) que, SIM, isso não só é possível, como desejável… Aliás, o mundo agradece e pede por isso.

O universo do café é bem grande. eu nem to me vendo daqui…

Se Nietzsche estivesse presente na grande rede, mandaria msg pra mim meio assim: “calma, os gênios já nascem póstumos” (a minha modéstia tá aqui me cutucando, “menos, Moni, menos”).

Mas a graça de filosofar está ai. Uns vão concordar, e outros não. E tá tudo bem…

Não sei onde estou indo, mas estou no meu caminho, Raul Seixas

Moni Abreu
Cafeóloga, brewer barista, designer de experiências, hacker do café.
Multipotencial e mente sináptica e criativa da Café!Café!Café!
Empreendedora social e coordenadora da Cafeoteca do Brasil
Fusqueira, coffee hunter e interventora urbana do FusCafé.
Palestrante, consultora e visagista na área dos cafés especiais.
Educadora disruptiva, contadora de histórias e coffee coach.
Linker das questões universais para o microcosmos do café.
Agrofloresteira, agitadora cultural e quebradora de paradigmas
Naturalmente curiosa, apaixonada por pessoas e amante deste planeta.


Texto publicado no meu Medium, no blog da Café!Café!Café! – C³!, e também em minhas notas na pág no Facebook

17 jan 2018
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Precisamos falar sobre café

 

Café. Taí uma coisa que brasileiro gosta muito. Ou acha que gosta…

Bem, pelo menos, de todas as pessoas que encontrei, a maioria delas gosta muito de me ouvir falar sobre café. Muitas tem algumas dúvidas, algumas têm muitas certezas, mas a abertura para entender mais sobre café está sempre lá. E não raro, me deparo com olhares de espanto, bocas (salivando) entreabertas e caras de interjeição diante de algum relato, palestra, consultoria ou experiência oferecida por mim. Isso acontece porque infelizmente (não sei se você já se deu conta) a maioria dos brasileiros entende pouquíssimo sobre café. E por dois motivos apenas:

  1. no Brasil, o café sempre foi (e continua sendo) de interesse internacional e pivô nacional (=poder & $);
  2. e por isso mesmo, é também uma lenda bastante midiatizada (afinal, quanto mais afastado o povo estiver do conhecimento profundo e real sobre o café, mais fácil engambelar a nação e manter a dupla “poder & $”).

Há mais de 300 anos segue esse ciclo quase interminável de poder, dinheiro, manipulação de informações, falcatruas, crimes, obliteração de dados, marketing, violência, usurpação, suborno, mais manipulação, mais poder, mais dinheiro…

Eu disse quase interminável…

…sim, pois é a partir da abertura das pessoas para ‘aprender sobre café’, que (essa cafeóloga que vos escreve) consegue a quebra de vários paradigmas, promovendo a ruptura de padrões arraigados. Uma experiência disruptiva inevitavelmente conduz pessoas à uma consciência do que é o não-café e ao desejo de não compactuar mais com a avassaladora estrutura dominante. Trazer à tona uma nova percepção e consciência sobre o Café (com C maiúsculo) é urgente e começa ‘de trás pra frente’, do simples ao complexo, do abstrato ao experiencial.

Legal é perceber o “ahhhh, agora eu entendi tudo!”. Bem lá no fundo as pessoas sempre souberam, só não sabiam como expressar o que sabem.

E é por isso que eu me repito sempre (e muito!), mesmo sobre os tópicos mais básicos e aparentemente corriqueiros. Acaba sendo inevitável e extremamente necessário. Quebrar esse ‘ciclo do mal’ será o grande desafio humano nos próximos anos! Mas a gente chega lá!

Quer testar o que você sabe sobre café??

Você sabia…

  • que o café é responsável por mais de 50% da degradação ambiental de todo país?
  • que atualmente tem grandes interesses internacionais (no pior sentido) sobre os nossos cafés (pior até que nos idos de 1800)?
  • que a espécie coffea arábica é a maior biopirataria de toda a história da humanidade?
  • que a planta do café sofre, fica deprimida e que somatiza?
  • que o Brasil foi o pior vexame internacional nos últimos grandes eventos (Copa e Olimpíadas) em relação ao café de baixíssima qualidade servido aos estrangeiros no país? (nem comento sobre os eventos em si…)
  • que é possível trazer justiça ambiental, equidade social e equilíbrio econômico através do consumo consciente do café?
  • que o Brasil, por conta da sua extensão continental, seus diversos biomas e culturas, produz a maior diversidade de cafés do mundo?
  • que a história do café nos possibilita fazer um resgate cultural e de identidade?

Se você também fez cara de interjeição para alguma dessas afirmações, então nós precisamos conversar sobre café…

Moni Abreu
Cafeóloga, brewer barista, designer de experiências, hacker do café.
Multipotencial e mente sináptica e criativa da Café!Café!Café!
Empreendedora social e coordenadora da Cafeoteca do Brasil
Fusqueira, coffee hunter e interventora urbana do FusCafé.
Palestrante, consultora e visagista na área dos cafés especiais.
Educadora disruptiva, contadora de histórias e coffee coach.
Linker das questões universais para o microcosmos do café.
Agrofloresteira, agitadora cultural e quebradora de paradigmas
Naturalmente curiosa, apaixonada por pessoas e amante deste planeta.


Texto publicado também no Facebook  e também no Medium
A tradução deste texto para língua inglesa foi feita por Aisha Celadon

13 jul 2017
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O melhor café nasce à sombra, no habitat da vida selvagem

Por uma nova cafeicultura

No oeste da Índia plantações sombreadas provaram ser um bom lugar para morcegos selvagens viverem e eles não são os únicos animais que procuram refúgio sob as copas do cafezal. Os pássaros têm um habitat amigável junto ao café, conforme mostram estudos extensivos da Smithsonian Bird Center sobre aves migratórias. Mas não são as únicas criaturas aladas que fazem suas casas sob as sombras dos cafeeiros.

Em um novo estudo, pesquisadores da Universidade de Leeds, Grã Bretanha, descobriram que o número de morcegos está aumentando entre as fazendas de café da Western Ghats, uma cadeia de montanhas de 1.000 milhas que percorre o lado ocidental do subcontinente indiano. É um dos lugares de maior biodiversidade e também tem a maior população humana vivendo próximo deste ponto importante do planeta.

O desenvolvimento e a agricultura do país deixaram apenas seis por cento do habitat original da região. Muitas espécies, incluindo mais de 5.000 variedades de plantas e centenas de mamíferos, aves e anfíbios, tiveram problemas com a paisagem transformada por estas intervenções humanas. Mas não os morcegos. E isto talvez seja muito mais importante do que um apreciador de café poderia pensar inicialmente.

“Os morcegos são criaturas extremamente importantes, tanto em ecossistemas naturais, quanto agrícolas”, disse Claire Wordley, pesquisadora chefe deste estudo. As pesquisas têm demonstrado que os morcegos fazem os agricultores economizarem muito dinheiro. Eles são excelentes caçadores de insetos e salvam a agroindústria – entre US$ 3 a $53 bilhões/ano que seriam gastos com defensivos químicos, não estão sendo usados graças aos morcegos e o seu maravilhoso instinto de alimentar-se de insetos! “Os morcegos são totalmente negligenciados, no entanto eles são um dos animais não domesticados economicamente mais importantes”, mostrou o relatório.

morcegos-no-cafe-bbbRecuperando o meio ambiente com o café

Em ecossistemas naturais, os morcegos são excelentes bioindicadores, explicou John Altringham, professor de biologia na Universidade de Leeds. Eles atuam como se fossem uma espécie de taquigrafia metonímica para a saúde global de um ambiente. “Nós somos capazes não só de aprender o que essas mudanças no ambiente significam para os morcegos, como também para a vida selvagem em geral”, disse ele.

Dentro da produção mundial de café, cerca de 25% é cultivado sob um dossel parcial ou total, 35% sob sombra parcial, e 40% a pleno sol. No último meio século, condições de insolação extrema vêm aumentando dramaticamente à medida que os produtores de café buscam elevar seus rendimentos.

Mas somente o café arábica vem sendo cultivado à sombra. Desde os anos 1990, a importância para a conservação da biodiversidade e prestação de serviços do ecossistema das fazendas de café sombreado ganhou ampla atenção do público, comunidades científicas, e os produtores de café.

Segundo a mesma pesquisadora, Claire Wordley, na América Central os produtores de café estão cada vez se voltando para a produção de café sombreado, o que poderia ajudá-los a se adaptarem às mudanças climáticas. “As raízes das árvores estabilizam o solo e as árvores oferecem proteção contra furacões e outros eventos climáticos extremos para as culturas. Além disso, a sombra fresca protege o café da variação de temperatura, proporcionando um bom controle do microclima local. Então, a sombra das árvores nativas poderiam ajudar os agricultores a se adaptarem às mudanças climáticas”, disse ela.

Outros estudos têm mostrado que o café cultivado à sombra é um bom habitat para aves e morcegos nas Américas, e produtores da América Central e África Oriental estão se dedicando a proteger as florestas onde as onças e os chimpanzés vivem. Mas este é o primeiro grande estudo sobre morcegos e café na Ásia e um bom exemplo de como os princípios de sistemas agroflorestais, ou a mistura de agricultura e habitats naturais, podem ajudar a preservar a vida selvagem e funcionam como um refúgio em uma paisagem em mudança.

“Estamos satisfeitos que os resultados foram semelhantes em ambientes tão diferentes”, disse Wordley. “Além disso, o desmatamento é uma séria ameaça para essas espécies, mas a boa notícia é que eles estão, por hora, sobrevivendo em pequenos fragmentos florestais, em habitats ribeirinhos, e até em plantações de café.”

O café sombreado como solução

morcego-no-cafe-foto

Enquanto o café cultivado à sombra é melhor para os animais e para o ambiente, a questão permanece: Será que oferecem também uma xícara melhor? A questão do gosto pode ser mais difícil de analisar do que a ética.

“Saúde e qualidade andam de mãos dadas”, Byron Holcomb, produtor de café no Brasil, disse ano passado ao site Serious Eats: “Um café saudável tem chance muito maior de ser um café de qualidade. A planta do café, botanicamente falando, é um arbusto de sub bosque. Isso é, em ambiente natural o pé de café existe sob um dossel mais alto de árvores, isto é, sob sombra.”

No mercado crescente de cafés especiais, que compreende 51% de um movimento de 46 bilhões de dólares no mercado de café a varejo, a conexão com a história por trás do produto muitas vezes é o que leva à efetivação da compra.

“Café de alta qualidade – e acho que alguns poderiam argumentar de que o café cultivado à sombra é o melhor – é uma fatia pequena, mas crescente do mercado, e existem premiações para bons cafés”, disse o biólogo John Altringham. “Eu, com certeza fico feliz em pagar mais por um bom café, especialmente se eu acho que é melhor para o ambiente.”


Este artigo de Sarah McColl está no site TakePart

Tradução e adaptação por Moni Abreu
Subtítulos criados por mim para facilitar a leitura.

Este texto representa parte da minha visão sobre as complexas questões do café brasileiro e apresenta parte daas possíveis soluções para todos os impasses sociais, ambientais e econômicos atuais.

 

04 nov 2016
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Para quem ama café!

Quem ama café sabe que o prazer é o que nos move!

Para quem ama café e deseja atuar com aqueles que gostam de beber café, saiba que o mercado está aberto ao café especial, que ainda é novidade no Brasil! Mas antes de agarrar essas muitas oportunidades, é preciso entender o que é “café com C maiúsculo”: de onde ele vem, como se comporta, como se prepara, e como se vende!
Pergunte a sua cafeologa@moniabreu.com.br

Beijins Cafeinados!
Moni Abreu
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13 jul 2016
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Café e inspiração

 

Café. Minha inspiração é o café!
Ele é meu motor criativo, meu trabalho. Através dele, para ele e com ele, eu instigo pessoas a descobrirem novos sabores e aromas.
Motivo produtores a adentrarem nesse novo universo dos especiais.
Desafio empreendedores do café a aventurarem-se com o coração. Impulsiono pessoas a entrarem para este mundo profissional cafeinado.
O café move o mundo. E se desejamos um mundo melhor, podemos começar mudando a forma como entendemos o café!

Moni Abreu

cafeologa@moniabreu.com.br

23 maio 2016
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Ritalizando

 

Sabe a senhorinha Jones Carvalho? Digo, a Ritz, ou melhor, a Rita Lee? Pois é, ela é tudo, menos senhorinha. 🙂

Leia mais…

20 jan 2016
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23 set 2014
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O novo mundo do café especial

Em parceria com a Emater Rio e a Sempre Produtora Cultural, a Café!Café!Café! está levando a noção de cafés especiais e as perspectivas econômicas a partir das novas tendências de consumo, aos cafeicultores do distrito de Barra Alegre, Bom Jardim, RJ.

A cafeóloga Moni Abreu fará uma palestra introdutória sobre o assunto enfatizando a importância da qualidade para os pequenos produtores e as vastas possibilidades de retorno financeiro com a mudança do atual paradigma.
festa flor e café palestra aos produtores

29 jan 2013
2Comentários

Os novos profissionais do café

Para cada área do conhecimento humano existe um profissional que atua com propriedade sobre um tema. Aquele que é detentor de um saber específico sobre determinado assunto pode ser considerado um expert, catedrático ou grande conhecedor. E a beleza do mundo é que ele está sempre em transformação e evolução, portanto criando produtos e serviços modernos e com eles, novos profissionais.

No universo do café, apesar deste já ser comercializado mundial e largamente há séculos, não havia profissional reconhecidamente ligado à busca das melhores características do produto. Esse interesse na questão sobre o que “de fato” era servido na xícara iniciou-se no Brasil na década de 90. Foi então que os elementos que traziam as características superiores da bebida, como procedência, seletividade de grãos, padrão de torra, e outros assuntos, entraram para o rol dos estudos do café.

Novo mercado

A partir disso é que houve uma intensificação na busca pela produção de grãos especiais. Criaram-se também novas formas de alcançar bebidas de mais qualidade e técnicas para quantificar e qualificar essa melhoria. O produto passou a ser mais valorizado dentro e fora do país, sendo visto como uma iguaria gastronômica. Obviamente isso demandou por profissionais especializados que encontrassem esses grãos, qualificassem e até, servissem estes cafés com propriedade. Por conta desta evolução na perspectiva do produto, hoje em dia podemos contar com a expertise de novos profissionais: o cafeólogo e o barista.

Os cafeólogos e os baristas estão a serviço do prazer gustativo de apreciar uma bebida com altas nuances sensoriais. São eles que sabem extrair o potencial máximo do café de qualidade nas duas frentes, pós produção e finalização, e depois no preparo. Ambos garantem que o grão tenha acompanhamento da colheita até a xícara. Afinal de contas, de que adianta o produtor ter todo o cuidado no campo, se no pós processo não há método que o ajude a alcançar altas notas? E, se depois de tanto trabalho, se o grão não for preparado de forma adequada, de que adianta todo cuidado na produção? É para isso que existem os cafeólogos e os baristas. Eles são os profissionais focados na qualidade final da bebida do café, mais especificamente do café especial.

Aceitação do novo

A atividade profissional do barista, aquele que está sempre em busca da extração perfeita, está sob o respaldo da Lei 8047/10. No entanto, o cafeólogo, aquele que acompanha o grão desde a retirada do pé até torra, às vezes indo até a questão de embalagem e entrada de mercado, ainda não consta como profissão regulamentada. Para ambos, a formação é livre, não contando até o momento, com cursos reconhecidos pelo MEC, embora na Europa já existam Faculdades sobre o assunto. Diante desse fator limitante na formação e visto que o mercado cresce de forma promissora, vários profissionais que atuam na área há muitas décadas foram se adaptando e logo se dedicaram à divulgação destes saberes.

Estas duas profissões ultra modernas, a do cafeólogo e a do barista, estão para a arte do café assim como o enólogo e o sommelier para arte do vinho. O primeiro é o que detém conhecimento na origem: produção, classificação, finalização, buscando a qualidade e as melhores características finais do produto.

coffeeologist pin

O segundo é o que, conhecendo profundamente da bebida e suas nuances, podem levar ao cliente consumidor, preparando e/ou servindo, aquilo que se deseja ou espera da bebida: aromas e sabores definidos em prazer máximo! Assim como os profissionais do vinho, que levaram mais de uma década para serem aceitos e percebidos pelo público em geral, assim está acontecendo com o barista, e mais lentamente ainda, com o cafeólogo.

 


Artigo original de Moni Abreu estão sob a “Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License“.
Publicado também no PULSE, do LinkdIn, e no Medium da autora.