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26 jan 2018
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Café, o novo vinho

Por mais aroma, sabor e prazer a cada dia

Difícil imaginar a manutenção da existência humana sem a sensação de prazer. O prazer está diretamente ligado ao nosso bem-estar e qualidade de vida, e até a nossa sobrevivência enquanto espécie sempre dependeu dele!

Pra nosso deleite e alegria, a noção de prazer alimentar vem entrando na fase 3.0 no atual estágio da civilização humana: tão importante quanto viver, é ter prazer e ser feliz com coisas corriqueiras do dia a dia, como os alimentos!

 

Café ou vinho?

Segundo os estudiosos, a palavra café veio do termo turco kahvé, que por sua vez desenvolveu-se a partir do termo árabe qáhwa,(pronuncia-se ‘caoua’) que significa tanto “café” quanto “vinho”. Desde o século XV, café ou vinho, é tudo uma questão de semântica! 😉

Infelizmente (especialmente no Brasil) somente nas últimas décadas é que o vinho e o café evoluíram enquanto produto, melhorando processos, finalizações e apresentações. Apesar de parecerem universos separados, tem sido graças aos conhecimentos adquiridos da cultura gustativa do vinho que o café especial vem se aprimorando e, assim, ganhando espaço entre os consumidores de percepção apurada. Afinal, compreende-se agora que qualidade de produto e bom paladar são noções intimamente ligadas. E se existe a associação de que “comida é prazer”, então bebida também é!

 

A Primeira, a Segunda e a….

A famosa expressão “a terceira onda do café” surgiu basicamente por conta da “descoberta” de que o café possui doçura, acidez, aromas e nuances gustativas apreciáveis (e quantificáveis!). Nessa nova fase o lema é: mais do que beber-por-beber, o que vale agora é a experiência de uma boa xícara. E não raro, um bommm café (dependendo da extração) pode ser translúcido como o vinho!

Roda de sabores SCA: compreensão dos aspectos de um café!

Roda de sabores SCA: compreensão dos aspectos de um café!

Essa revelação das novas qualidades nutracêuticas e gustativas do café o alçou ao status de produto diferenciado. E com essa percepção renovada de produto, o café de alta qualidade ganhou novo adjetivo qualificador: o termo “especial” (specialty coffee). Um café para ser considerado como especial precisa estar enquadrado em parâmetros muito específicos, desenvolvidos pela SCA — Specialty Coffee Association, que avaliam a complexidade sensorial de cada café.

Geralmente cafés produzidos em pequena ou média escala, dependendo, é claro, de diversas condições e questões produtivas, alcançam boas notas dentro desse padrão internacional. Isso é, o café especial é um item alimentar de qualidade, que possui características próprias e bem definidas. É uma bebida que se distancia – e muito! – do recorrente (e persistente!) c͟a͟f͟é͟ t͟r͟a͟d͟i͟c͟i͟o͟n͟a͟l͟* que encontramos fartamente por aí. Isso é, aquele café que segue os padrões industriais e/ou do grande mercado, disponível nas inúmeras gôndolas deste país, tanto nos micro mercadinhos quanto nos hiper mercados.

 

Mais, mais e mais

Mas enfim… por conta das novas exigências por mais qualidade, tanto no quesito alimentar quanto no quesito apreciação de sabor, foram surgindo no mercado interno o aumento exponencial da demanda por vinhos e cafés mais elaborados, mais bem cuidados, de sabor apurados e melhor finalização. Inclusive o consumidor já entende melhor essa ‘nova cultura’ de bebidas que fazem parte do universo gastronômico. Prova disso tem sido o aprimoramento das embalagens e apresentações, que tornaram-se mais detalhistas, privilegiando a informação técnica e a transparência do produtor para com o público. E com certeza, merecemos mais (e mais e mais e mais!) do que nos oferecem a maioria das empresas de varejo….

 

Partiu, café?!

Todo o knowhow ligado à qualidade dos grãos do café vem proporcionando bebidas incríveis em nossas xícaras! E toda a diversidade de sabores que o nosso país produz está sendo descoberta por quem deseja o prazer que um bom café propicia!

Sendo o café especial um produto tão incrível e diverso quanto um bom vinho, é possível ter essas duas paixões tão similares (e tão opostas em seu consumo!), convivendo em nossas mesas, trazendo diversidade alimentar, saúde e alegria de viver a todos nós, desde a primeira refeição até a última!

Hummmmm…. Perái que vou ali esquentando a água…


*Existe uma classificação estritamente brasileira, a COB. Aqui no Brasil ela segue em paralelo á classificação internacional. Isso inclusive ainda confunde bastante os atores da cadeia produtiva do café, com relação à classificação de seus produtos. Não me detive nos detalhes e questões relativas à Classificação Oficial Brasileira, pois não é o foco do meu trabalho, que é voltado exclusivamente para os especiais. 


Imagem: Nósfotografa


Texto publicado no Medium e nas Notas da pág do Facebook.

17 jan 2018
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Precisamos falar sobre café

 

Café. Taí uma coisa que brasileiro gosta muito. Ou acha que gosta…

Bem, pelo menos, de todas as pessoas que encontrei, a maioria delas gosta muito de me ouvir falar sobre café. Muitas tem algumas dúvidas, algumas têm muitas certezas, mas a abertura para entender mais sobre café está sempre lá. E não raro, me deparo com olhares de espanto, bocas (salivando) entreabertas e caras de interjeição diante de algum relato, palestra, consultoria ou experiência oferecida por mim. Isso acontece porque infelizmente (não sei se você já se deu conta) a maioria dos brasileiros entende pouquíssimo sobre café. E por dois motivos apenas:

  1. no Brasil, o café sempre foi (e continua sendo) de interesse internacional e pivô nacional (=poder & $);
  2. e por isso mesmo, é também uma lenda bastante midiatizada (afinal, quanto mais afastado o povo estiver do conhecimento profundo e real sobre o café, mais fácil engambelar a nação e manter a dupla “poder & $”).

Há mais de 300 anos segue esse ciclo quase interminável de poder, dinheiro, manipulação de informações, falcatruas, crimes, obliteração de dados, marketing, violência, usurpação, suborno, mais manipulação, mais poder, mais dinheiro…

Eu disse quase interminável…

…sim, pois é a partir da abertura das pessoas para ‘aprender sobre café’, que (essa cafeóloga que vos escreve) consegue a quebra de vários paradigmas, promovendo a ruptura de padrões arraigados. Uma experiência disruptiva inevitavelmente conduz pessoas à uma consciência do que é o não-café e ao desejo de não compactuar mais com a avassaladora estrutura dominante. Trazer à tona uma nova percepção e consciência sobre o Café (com C maiúsculo) é urgente e começa ‘de trás pra frente’, do simples ao complexo, do abstrato ao experiencial.

Legal é perceber o “ahhhh, agora eu entendi tudo!”. Bem lá no fundo as pessoas sempre souberam, só não sabiam como expressar o que sabem.

E é por isso que eu me repito sempre (e muito!), mesmo sobre os tópicos mais básicos e aparentemente corriqueiros. Acaba sendo inevitável e extremamente necessário. Quebrar esse ‘ciclo do mal’ será o grande desafio humano nos próximos anos! Mas a gente chega lá!

Quer testar o que você sabe sobre café??

Você sabia…

  • que o café é responsável por mais de 50% da degradação ambiental de todo país?
  • que atualmente tem grandes interesses internacionais (no pior sentido) sobre os nossos cafés (pior até que nos idos de 1800)?
  • que a espécie coffea arábica é a maior biopirataria de toda a história da humanidade?
  • que a planta do café sofre, fica deprimida e que somatiza?
  • que o Brasil foi o pior vexame internacional nos últimos grandes eventos (Copa e Olimpíadas) em relação ao café de baixíssima qualidade servido aos estrangeiros no país? (nem comento sobre os eventos em si…)
  • que é possível trazer justiça ambiental, equidade social e equilíbrio econômico através do consumo consciente do café?
  • que o Brasil, por conta da sua extensão continental, seus diversos biomas e culturas, produz a maior diversidade de cafés do mundo?
  • que a história do café nos possibilita fazer um resgate cultural e de identidade?

Se você também fez cara de interjeição para alguma dessas afirmações, então nós precisamos conversar sobre café…

Moni Abreu
Cafeóloga, brewer barista, designer de experiências, hacker do café.
Multipotencial e mente sináptica e criativa da Café!Café!Café!
Empreendedora social e coordenadora da Cafeoteca do Brasil
Fusqueira, coffee hunter e interventora urbana do FusCafé.
Palestrante, consultora e visagista na área dos cafés especiais.
Educadora disruptiva, contadora de histórias e coffee coach.
Linker das questões universais para o microcosmos do café.
Agrofloresteira, agitadora cultural e quebradora de paradigmas
Naturalmente curiosa, apaixonada por pessoas e amante deste planeta.


Texto publicado também no Facebook  e também no Medium
A tradução deste texto para língua inglesa foi feita por Aisha Celadon

03 mar 2017
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McCafé e o universo de cafés especiais como piada

 

Tentando dominar o mundo, McCafé?

Recentemente a empresa McDonald UK, pertencente ao conglomerado mundial de empresas McDonald, criou um vídeo propaganda para sua rede McCafé, categorizando/reduzindo as cafeterias dedicadas ao café especial de ‘esquisitas’, ‘alternativas’, ‘hipsters’, cheias de “incongruências’, e outras noções equivocadas menos explícitas. Observe os tipos de “clientes” que eles colocam extremamente confusos diante do balcão…

Para não dar visualizações para o site da empresa, colocamos o vídeo no canal da Cafeoteca do Brasil, de forma ‘não listada’ para não ser bloqueado por conta de ‘direitos autorais’: https://youtu.be/TByXyNqYxc8

Eis a descrição original do vídeo, retirado do canal da empresa citada: “The coffee market has got a bit over-complicated, hasn’t it? But with McCafé, none of the frills or fuss. Only freshly ground beans, making great tasting coffee. It’s simple.” [“O mercado de café ficou um pouco complicado, não é? Mas com McCafé, não tem firulas ou espalhafato. Apenas café moído, trazendo um grande café para sua degustação. É simples.]

Nada como ter poder de mídia e ser um conglomerado unificado, com um único objetivo: tentar dominar o mundo. Infelizmente. E nada mais marketing de quinta categoria do que desmerecer ou ‘zoar’ aquilo que nem é seu nicho de mercado, afinal, sabemos bem qual a qualidade geral do produto ‘café’ desta detentora de marca de fast food. Mas o poder de entrada é GIGANTE. E é isso que incomoda… Para além disso, eles deixam explícito que, SIM:  o mercado dos especiais está crescendo exponencialmente  e que a informação é a pior arma que eles podem encontrar nos clientes!

Em alguma medida, é justamente a falta de unicidade no universo dos cafés especiais que nos deixa impotentes. Enquanto a gente discute pequenezas, os grandes já estão trazendo misinformação e contribuindo para a ignorância pública, transformando TUDO e TODOS da área dos cafés especiais em motivo de riso. Para o público desconhecedor do assunto, o vídeo dá a entender que os que são consumidores de ‘modinha’, são motivos de piada, e conclui: “evite isso tomando café no McCafé!”.

 

“Falem mal, mas falem de mim”

Ok. O vídeo é afronta pura do início ao fim, induzindo as pessoas a terem opinião negativa a respeito dos serviços e produtos das cafeterias dedicadas aos especiais. Mas, pior que isso, eles fazem as pessoas terem medo de ‘ficar com cara de bobo’ ou nem desejarem entrar em uma cafeteria de verdade por “não saberem o que fazer”!

Mas quem disse que não dá pra usar essa alfinetada para que possamos nos unir?

O que podemos aprender com essa experiência? Como esse evento (aparentemente pura afronta) pode nos beneficiar ou ajudar a garantir mais entrada de mercado para os cafés, de fato e de direito, especiais?

Como a figura do barista (não do “atendende de balcão” tipo McCafé) pode ser decisiva para desmistificar ou trazer informação REAL no contexto do vídeo?

Como podemos chegar mais perto do consumidor e fazer crescer o nosso negócio de forma transparente, justa e limpa?
Boas questões para um mercado que está crescendo sem um mínimo de objetivo em comum.

Pensemos…

Artigo original de Moni Abreu sob licença da Creative Commons.


Mais infos:

Um artigo (em espanhol) que também faz leitura do estilo agressivo da multinacional:

McCafé vs Cafeterías de Especialidad

Matéria veiculada no site da Exame, que já cria indisposições somente pela manchete, utilizando-se de vários conceitos errôneos, irresponsáveis ou no mínimo preguiçosos:

“McCafé tira sarro de cafeterias hipsters em novo comercial: Comercial do Reino Unido arranca boas risadas ao fazer piada com os cafés alternativos”

Para não gerar visualizações no site desta mídia marrom, utilizamos o encurtador  nao.usem.xyz , que é um serviço de compartilhamento/encurtamento de URLs com propósito de denúncia/comentário crítico. Em vez da página original, a URL encurtada direciona para uma cópia (em imagem) do conteúdo, de modo que não se aumentará o tráfego ou o pagerank da página em questão. Além disso, a cópia ficará disponível mesmo que a página original seja tirada do ar.

Vejam a cópia do artigo “McCafé tira sarro de cafeterias hipsters em novo comercial | EXAME.com”

03 nov 2016
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Café especial é amor!

cafe-e-amor-2
“No café especial, assim como no amor, aquilo que os definem não pode ser idealizado.
Somente o que está vívido, aquilo que qualifica e justifica a boa sensação que causam, os definem”.
Aforismo de Moni Abreu, cafeóloga e barista

 

“In specialty coffee as well as in love, what define them can not be idealized.
Only what is vivid, what qualifies and justifies the good sensation they cause, define them. ”
Quote by Moni Abreu, cafeóloga e barista

23 maio 2016
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Ritalizando

 

Sabe a senhorinha Jones Carvalho? Digo, a Ritz, ou melhor, a Rita Lee? Pois é, ela é tudo, menos senhorinha. 🙂

Leia mais…

07 nov 2015
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Gourmet ou não gourmet, eis a questão…

Em 1998, Consuelo García Gallarín, em seus estudos sobre latinismos e as formas de entrada de neologismos na língua, demonstrou que através dos aspectos semânticos, onde existem relações estabelecias entre uso, cultura e disseminação por associação, o universo conceitual inicial de uma palavra é ampliado.

Mas, oi? Pois é… Explico já. Leia mais…

16 jul 2015
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Os 17 segredos de Dan Gentile

Existe uma boa quantidade de informações na internet sobre cafés. Alguns textos em inglês, além de muito interessantes e reveladores, tem uma perspectiva diferente, própria das “gentes de lá”. Esse em especial intitulado Leia mais…

11 out 2014
2Comentários

Cafe…o que?

Ca-fe-o-te-ca. Cafeoteca. Sabe café? Então…

Cafeoteca é a junção de duas palavras: “café”, a bebida e “-teca”, sufixo grego que significa ‘coleção’ e/ou ‘local de guarda de coleções’. Cafeoteca é então, um lugar onde existe uma coleção de cafés. Antes de virar bebida, claro.

Daí que a cafeoteca é como uma biblioteca, sabe? Tem que ter títulos diversos, ter alguns escritores representados, ser de editoras distintas, conter assuntos diferentes. Numa biblioteca encontramos capas de cores e tamanhos diferentes, e quem sabe até, livros de línguas diferentes.

Me diga, você chamaria aquelas duas bíblias, o guia de viagem e o catálogo de moda de “minha biblioteca”? E aqueles únicos cinco livros de capa vermelha e lombada dourada com o pomposo título genérico de “Escritores do Século”? Pois então… Diversidade é o que define bibliotecas e cafeotecas. Explico, já, já.

A palavra diversidade, segundo o dicionário Aurélio, que está aqui na minha coleção de livros, nos remete a tudo aquilo que tem a ver com variedade, multiplicidade e abundância. No fim das contas também é sinônimo de representatividade.

Mas aí alguém vai me dizer: “ah, mas isso a gente vê no mercado. Na prateleira de cafés tem várias marcas”. Aí, eu vou te perguntar: você compra livro que só diz de que editora é? Ou você busca adquirir publicações de acordo com seu gosto, escolhendo por assunto, por autor, por título e/ou por língua?

No mercado somos obrigados a escolher café como se a única opção fosse a “editora”, aquela que pega o que é dos outros, embala bonito e vende. Pois é, ainda se compra café só por causa da marca. E se possível uma “bem estabelecida no mercado”, segundo me disse uma senhora certa vez. “E isso significa o que exatamente?” – perguntei aos meus botões, na época.

Acho que já sabemos que o Brasil é bem grande, não é mesmo? Sabemos também que o nosso país é o campeão na produção desse grão e que cada região imprime particularidades inequívocas de aroma e sabor em nossas xícaras. E que cada produtor pode revelar, no processo de torra, um sabor que só a bebida dele terá. Imagine toda esta representatividade em uma coleção, à sua disposição, pronta pra virar a bebida mais incrível que você e eu conhecemos!

Então, quer escolher MESMO? Vá a uma cafeoteca. Vai ter café pra tomar por uma vida inteira sem nunca encontrar um que seja igual ao outro! Viva a diversidade dos cafés brasileiros!

Pois é. Sem título, sem autor, sem assunto? Isso nem é um livro...

Pois é. Sem título, sem autor, sem assunto? Isso nem é um livro…

 

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Texto original: Moni Abreu

Ao repostar, favor citar a autoria e a origem. Grata.

 

12 fev 2013
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The book is on the table….

Depois de ler o livro “It’s Not About The Coffee” de Howard Behar It's Not About The Coffee tive certeza que há um grande lapso entre aquilo que se apregoa e o que se pratica. A grande empresa e rede de cafeterias Starbucks tem alguns livros que foram publicados pelos seus CEOs. Esse é apenas mais um. O autor pode até dizer que precisou de muita auto reflexão pra chegar nesse nível de liderança, mas digamos que ela foi apenas um exercício pessoal. O livro é um ótimo manual para gerenciadores, de fato. É para aqueles que gerenciam desenvolverem o senso de que entender e respeitar as pessoas é o que faz grandes aqueles que gerenciam pessoas. Mas na teoria é lindo….. e a aplicação disso?

Pra quem conhece as lojas que a Starbucks abriu por aqui (em Niterói temos duas, surgidas há menos de dois anos), e é claro, tem senso crítico, vai concordar que os funcionários da cafeteria são explorados, manipulados e reduzidos a máquinas.  Aqueles a quem a empresa cisma de classificar como “baristas”, são apenas seres eficaz e mecanicamente treinados para reproduzir aquilo que a empresa quer e conhecer SOMENTE aquilo que a Starbucks apregoa em suas “bíblias”. Gente, por favor, BARISTA não é o mesmo que antendente tipo Starbucks, ok?

Aquilo que eles chamam de “café” não tem explicação. Como uma loja pode servir um espresso tão ruim? Ah, mas claro que para os preparados com café, aquela “coisa” pode ter sua utilidade: deixar um gosto de café. Mas sublinho: aquilo que eles vendem não é café de qualidade, é MARKETING. Gruda na gente igual o “the book is on the table”….. ninguém sabe de onde vem, mas todos repetem. E ainda se acham o máximo nessa macaquice.

Duvida de mim? Experimenta então beber um espresso da marca… mas não vale colocar açúcar! Logo depois, experimente entrar numa cafeteria de verdade e tome outro espresso. Por pior que o segundo café seja, você vai achar que está nos céus!

Sim, uma grande e bem estruturada campanha de fazeção-de-cabeça marketing, que inclusive mudou a perspectiva de consumo de café no Brasil, o país dos cafezinhos. Adolescentes fazem fila pra tomar os tais frapuccinos, que sabe-se-lá o que contém e que tanto deixa os jovens adictos… É só mesmo status social?

o-barista-que-nao-eh-barista

E que rotatividade é essa? Eu que estou no ramo do café estou ciente da enxurrada de anúncios virtuais de emprego, “buscando baristas”, que a empresa republica quinzenalmente!

Enfim. A Starbucks não é o que o “livro bonitinho e politicamante correto” tenta fazer parecer.
Aliás, a marca merece outros artigos, infelizmente nenhum elogioso, que em breve me dedicarei a escrever. Alguém tem que ter essa coragem de tentar desdizer o que o marketing “naturalizou” como bom.

Este livro está mesmo APENAS sobre a mesa, igual àquelas grandes bíblias que enfeitavam as salas de estar. Só fachada.

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Outros textos similares:

Richa Costa: http://criticapura.com/por-que-odio-a-starbucks/2011/09/

Jornal O Portugal: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/starbucks-gera-polemica-ao-pedir-desculpa-por-usar-canecas-nacionais-na-argentina-1555299

Sobre uso indevido de poder (em todos os sentidos), sonegação de impostos e desvio de divisas: no Jornal O Estadão e no Jornal O Globo.

Por fim o ótimo artigo Starbucks – A chavena das incoerências, que fala, entre outros temas, de sustentabilidade e comercio justo, termos usados indevidamente pela empresa.

 

 

20 jan 2013
1Comentário

De cafés e futebol

 

O café está na boca de todo mundo. Literalmente! E tão popular quanto o café é o futebol. Sobre futebol, quase todo brasileiro se acha grande entendedor. Com o café acontece algo parecido. Todos querem nos dizer qual é o “melhor” café, sempre de uma perspectiva 100% subjetiva. Desta forma, muitos se sentem como verdadeiros entendedores. Só que a grande maioria, sem saber, acaba cometendo injustiças tremendas, quando não, erros grosseiros.

Só que, com relação aos times e as partidas do futebol, existem técnicos e juízes que definem o que é e como o jogo deve acontecer. E quem define o que é ou como deveria ser o café? Ahhhh, boa pergunta! Então eu lhe digo, assim como no futebol, para o café também existem regras. E, pra definir o-quê-é-o-quê, existem dois profissionais indispensáveis nesse jogo que é o mundo do café.

Quem é quem na jogada

Um deles, é o(a) cafeólogo(a), profissional que (entre outras atividades e saberes) avalia cada grão de café que tem a sorte de passar pelas suas mãos. E, através de testes sensoriais e físicos, que funcionam dentro de uma escala de avaliação (brasileira- COB, ou internacional – SCAA), categorizam os grãos de cafés e a qualidade da bebida que eles podem proporcionar. São os cafeólogos que nos dizem quais são os grãos considerados “café especial”. De fato, é a este tipo de café que ele se dedica quase que exclusivamente, por conta da exigência de seus clientes em obter uma qualidade excepcional na xícara.

Outro expert da área é o(a) barista, profissional que atua diretamente com o serviço de café e que faz toda a diferença quando se trata de extrair uma excelente bebida. Ele, assim como o cafeólogo, também conhece muito bem toda a cadeia do café, do plantio a torra. A ele cabe a sabedoria de como moer e extrair o melhor sabor dos grãos de café, oferecendo aos clientes apreciadores verdadeiras primícias da natureza!

Assim como no mundo do café existem os cafeólogos e baristas, existem os juízes e os treinadores no universo do futebol. A sabedoria e experiência deles não se comparam com os que apenas gostam do esporte ou de beber café. Aprofundar-se de corpo e alma ao tema é o que faz os primeiros serem PROFISSIONAIS no assunto, e os segundos, apreciadores ou fãs, apenas.

Olho no lance!

Mantendo a analogia com o futebol, a relação entre os dois profissionais seria mais ou menos assim: o juiz/cafeólogo está lá para garantir um jogo/café decente e o treinador/barista busca sempre preparar o melhor jogo/café. Ter um juiz/cafeólogo não faria sentido, se não existisse o treinador/barista para fazer o jogo/café acontecer. Por outro lado, o treinador/barista não pode fazer com que o jogo/café seja o que ele quer. Precisa que o juiz/cafeólogo apite nesse jogo. Entendeu? Café e futebol são similares!

Sabemos que existe jogo bom e jogo ruim (pelo qual sempre podemos culpar juízes e técnicos!). Mas sempre gostamos de apreciar um bom jogo, não é? É o que nos dá prazer… Assim também é com os bons cafés! E fique atento a quem leva cartão vermelho! Você não vai quere ver a cara de um café com “impedimento”, nem tão cedo.

Bem, o povo vai continuar falando bobagens sobre futebol, mesmo que eles não sejam treinadores ou juízes, mas que tal deixarmos o lance do café com quem sabe como avaliar e preparar um bom café? Confie no seu cafeólogo ou seu barista, peça um bom café, e aprecie o jogo… digo, a bebida!

 

futebol e café?

De café e futebol, brasileiro entende tudo mesmo?