Café!Café!Café!

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31 mar 2013
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A cidade de Vassouras e o Café

Vassouras, no seio do Vale do Café Sul Fluminense, vassouras 1883no RJ, é a cidade dos Barões do Café. Todos os cantos respiram ainda esta história de exuberância, poderio e declínio. Da prefeitura ao fórum, do hotel à Casa de Cultura, todas estas e outras tantas estruturas foram construídas com a riqueza deste ouro verde há mais de 150 anos atrás e estão lá, mantidas e conservadas para que possamos nos lembrar deste passado glorioso.

vassouras3Várias fazendas de café centenárias abriram suas portas aos turistas e hoje são alvos de visitação o ano inteiro, tanto pelos amantes da história deste país, quanto pelos amantes do café. A cidade também participa, há alguns anos, de dois eventos de grande porte com o tema café: o “Café, Cachaça e Chorinho” e o “Festival do Vale do Café”.

 

Mas e o café? Bem, do café, mais precisamente da produção deste fruto que vira grão, que vira bebida e que todos apreciam, pouco ou nada sobrou. E a cidade parou no tempo em que café era somente commodity. Tem em cada loja, boteco, restaurante ou padaria, uma garrafa térmica ou, em outras formas de serviço, aquele “cafezinho” do mais tradicional possível. A cultura da bebida local resume-se a isso. Foi difícil achar um lugar que tivesse um café gourmet.

Salvou-me a livraria local, a Cia do Livro!  A cafeteria dentro da loja possui um espaço muito bacana e o Café Faraó é tirado em máquina automática. Nada muito “ohhhh”, mas diante da perspectiva de tomar café açucarado, de garrafa térmica e do suuuper tradicional, isso foi um… digamos… avanço. Eles estão de parabéns pela visão de futuro. Um dia ainda vou oferecer-lhes um café verdadeiramente especial!

Espero que empreendedores possam ver as grandes possibilidades futuras na área do café e venham a melhorar e aumentar a visibilidade desta linda cidade, acrescentando a ela um quê de modernidade. Pelo menos no aumento da oferta de cafés de qualidade, mudando aos poucos a cultura do sabor do café, e trazendo pra cidade, consumidores e amantes de café de todo o mundo. Que estes venham não só pela historia, mas pelo café em si!

16 nov 2012
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O Jardim dos Quatro Rios

Gênesis 2,10-14: Um rio saía de Éden para regar o jardim e de lá se dividia formando quatro braços. O primeiro chama-se Pison; rodeia toda a terra de Hévila(…). O segundo rio chama-se Geon: rodeia toda a terra de Cuch [extremo Sul da África, atual Etiópia]. O terceiro rio se chama Tigre: corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.

Recém surgida, estava ela ali, embevecida com a luz e as formas das coisas. Percebeu o vento balouçando as madeixas em suas espáduas nuas. Os sons vibrando ao redor, a grama macia e o tato da água do rio na palma de suas mãos, a deixaram trêmula. Súbito seus olhos encantam-se com um objeto de cor vivaz e atraente, pequeno e rotundo, a boiar sobre as águas. Pegou-o e levando infantilmente à boca, sentiu o gosto pela primeira vez. Franziu-se o seu cenho automaticamente. Passados alguns instantes, sentiu-lhe percorrer calor pelo corpo e viu que era bom. Estando ela deitada, percebeu então que a relva fazia contato íntimo com sua púbis. Deliciou-se ela com isso, remexendo-se de instante em instante.

Afogueada, levanta-se súbito e vai ter com o homem. De certo que aproximando-se deste, diz-lhe eufórica: “Homem, senti!” e subitamente olhando naquilo que os olhos nunca se detiveram, percebe o homem em seu todo e pergunta: “Adam, mas que é isso?”. Ele desconhecendo, não o soube responder. Ela então se aproxima e toca, com mãos curiosas e ávidas, levando o homem a tocá-la de igual modo, onde nem a relva alcançou. O homem atônito, recua. Eva diz do gosto que sentiu e do toque das ervas verdes em suas partes, e da curiosidade súbita que a tomou, mas Adam, desconfiado, resiste

A primeira mulher então leva Adam à beira do rio e faz com que ele fique a observar a água, à espreita de que a pequena coisa vermelho vivo passasse novamente sobre as águas.
Passado um tempo, eis que surge outro a boiar, e Eva, espertamente, evitando perder o item, pega de uma madeira e o puxa para perto do homem, fazendo Adam tomar do fruto. Sentindo ele o gosto pela primeira vez, sua língua percebe o doce, o ácido e o amargo com a única mordida, e põe-se estalante para fora automatamente. Sente então o homem que algo lhe percorre o corpo. Olha súbito para si, descendo os olhos sobre o próprio corpo, e depois para a mulher e dize-lhe: “Eva, que é isso?”. A mulher sem bem saber o que fazia, pôs-se de fronte ao homem, abaixada na relva, sua amiga, e abriu-se-lhe a boca com uma certa fome nunca pronunciada ou conhecida. Mas Adam viu que era bom e indo ter com ela na relva, ficaram os dois em estado de éden profundo. Os pássaros continuaram a avoar estridentes e enquanto o rio corria, o vento levava folhas para lá e para cá, durante o longo tempo que lá ficaram em êxtase.

Foi assim que a esperteza, a agilidade e a fogosidade tomou conta primeiro da mulher, Eva (חַוָּה – Ḥavva, a “Vivente”) e esta ensinou como se faz ao homem (Adam – אָדָם, “Homem”) e foi por causa do fruto vermelho chamado kapheh (קפה), que o Jardim dos Quatro Rios passou a ser chamado Jardim do Éden (עדן – prazer).

Adão e Eva, desenho do quadrinista Crumb.

Adão e Eva, desenho do quadrinista Crumb.

Texto original de MONI ABREU, ao repostar, favor citar a fonte e a autoria.