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07 nov 2015
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Gourmet ou não gourmet, eis a questão…

Em 1998, Consuelo García Gallarín, em seus estudos sobre latinismos e as formas de entrada de neologismos na língua, demonstrou que através dos aspectos semânticos, onde existem relações estabelecias entre uso, cultura e disseminação por associação, o universo conceitual inicial de uma palavra é ampliado.

Mas, oi? Pois é… Explico já. Leia mais…

16 nov 2012
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O Jardim dos Quatro Rios

Recém surgida, embevecida com a luz e as formas das coisas, o vento balouçando as madeixas em suas espáduas nuas, os sons avoando ao redor  e o tato da água do rio na palma de suas mãos. Súbito seus olhos encantam-se com uma cor vivaz e atraente, pequena e rotunda, a boiar sobre as águas. Pegou-a e, levando infantilmente à boca, sentiu gosto pela primeira vez. Franziu-se o seu cenho automaticamente, mas passados instantes, sentiu-lhe percorrer calor pelo corpo e viu que era bom. Estando ela deitada, percebeu então que a relva fazia contato íntimo com sua púbis. Deliciou-se ela com isso, remexendo-se de instante em instante. Afogueada, levanta-se e vai ter com o homem. De certo que aproximando-se deste, dize-lhe eufórica: “Homem, senti!” e subitamente olhando naquilo que os olhos nunca se detiveram, percebe o homem em seu todo e pergunta: “Adam, mas que é isso?”. Ele desconhecendo, não o soube responder. Ela então se aproxima e toca, com mãos curiosas e ávidas, levando o homem a tocá-la de igual modo, onde nem a relva alcançou. O homem atônito, recua. Eva diz do gosto que sentiu e do toque das ervas verdes, e da curiosidade súbita que a tomou, mas Adam, desconfiado, resiste. A mulher então o leva à beira do rio e faz com que ele fique a observar a água, à espreita de que a pequena coisa vermelho vivo passasse novamente sobre as águas.
Passado um tempo, eis que novamente surge a boiar outra pequena vermelha, e Eva, espertamente, evitando perder o item, pega de uma madeira e o puxa para perto do homem, fazendo Adam tomar do fruto. Sentindo ele o gosto pela primeira vez, sua língua percebe o doce, o ácido e o amargo com a única mordida, e põe-se estalante para fora autômatamente. Sente então o homem que algo lhe percorre o corpo. Olha súbito para si, descendo os olhos sobre o próprio corpo, e depois para a mulher e dize-lhe: “Eva, que é isso?”. A mulher sem bem saber o que fazia, pôs-se de fronte ao homem, abaixada na relva, sua amiga, e abriu-se-lhe a boca com uma certa fome nunca pronunciada ou conhecida. Mas Adam viu que era bom e indo ter com ela na relva, ficaram os dois em estado de éden profundo. Os pássaros continuaram a avoar estridentes e enquanto o rio corria, o vento levava folhas para lá e para cá, durante o longo tempo que lá ficaram em êxtase.
Foi assim que a esperteza, a agilidade e a fogosidade tomou conta primeiro da mulher, Eva (חַוָּה – Ḥavva, a “Vivente”) e esta ensinou como se faz ao homem (Adam – אָדָם, “Homem”) e foi por causa do fruto vermelho chamado kapheh (קפה), oriundo da Abissínia, que o Jardim dos Quatro Rios passou a ser chamado Jardim do Éden (עדן – prazer).

Texto original de MONI ABREU, ao repostar, favor citar a fonte e a autoria.